Tribuna da Imprensa
30/11/2001

Picassos Falsos se apresente na última Loud! do ano

“Quadrinhos”, “Supercarioca”, “Carne e osso” e “Rio de Janeiro”, hits do underground da década de 80, fazem com que os Picassos Falsos, apesar de nunca terem efetivamente chegado ao topo do mainstream, sejam lembrados hoje como uma das bandas mais interessantes daquela época. Depois de 12 anos de separação, Humberto Effe (vocais), Luiz Henrique Romanholli (baixo), Gustavo Corsi (guitarra) e Abílio Rodriguez (bateria) se reúnem novamente para, segundo definem, dar continuidade ao trabalho que gerou dois ótimos discos na segunda metade dos 80, “Picassos Falsos” e “Supercariocas”. E para dar início a este retorno, o quarteto toca neste sábado, na última festa Loud! do ano, no Cine Íris.
“Para o show deste sábado, vamos tocar 12 músicas, entre elas quatro inéditas. Estamos muito curiosos para ver qual vai ser a receptividade do público”, admite Gustavo. Segundo o guitarrista, a banda não tem a intenção de criar um repertório nostálgico, calcado apenas em canções antigas. A maior prova disso é a inclusão de “Cabelo danado”, de Casquinha da Portela. “Essa não é uma composição nossa, mas reflete bem o espírito do que estamos querendo fazer”, explica.
E é esta mistura de ritmos que fez com que os Picassos se destacassem entre a segunda geração do rock, muito antes do modismo tomar conta do mercado fonográfico. “A nossa intenção não é, de maneira alguma, viver de nostalgia. Queremos dar continuidade ao trabalho que fizemos até 89 e não entrar nessa onda de regravar e rearranjar antigos sucessos. Na verdade, eu e o Humberto continuamos mantendo contato e chegamos a compor alguma coisa juntos”, conta Gustavo.
O guitarrista diz que o que o quarteto pretende é gravar um CD de inéditas, apesar de ainda não ter recebido proposta de nenhuma gravadora. “Tudo ainda está sendo desenvolvido com calma. Nosso futuro vai depender muito do que acontecer nestes primeiros shows”, conta. Quando perguntado sobre o porquê do fim do grupo logo na época em que o segundo álbum, “Supercarioca”, era elogiadíssimo pela crítica, Gustavo não tem respostas exatas. “É difícil dizer proque a banda acabou. Acho que um dos motivos que podem ser apontados foi a nossa falta de experiência e profissionalismo. Tudo era feito no esquema da camaradagem. Nosso empresário, por exemplo, era um amigo da banda e quando entrávamos na gravadora, era uma festa. Não parecia que levávamos o trabalho a sério como deveríamos. Éramos garotos e estávamos encantados com a possibilidade de nos transformamos em uma grande banda”, admite o músico. (TT)


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