Flavio Flock
23/08/2002
PICASSOS FALSOS
- Ballroom - Rio UM CLIMA DE REVIVAL, no bom sentido, estava no ar. Afinal o público era composto por gente que viu shows do Picassos Falsos no auge da carreira, ainda nos anos oitenta, e fãs dispostos a fechar uma lacuna de suas vidas assistindo ao grupo pela primeira vez. O início com a guitarra meio baixa, justamente quando tocaram clássicos absolutos pra cariocas de vinte-e-muitos-anos, como “Bolero” e “Carne e Osso” (refrescando a memória, aquela do “meu coração, meu coração...”) não chegou a interferir na carga emotiva das interpretações, um pouco diferentes, com o sotaque “mpb” mais acentuado e a adição do percussionista David Villefort, discreto na maior parte do tempo. Mesmo sendo um dos precursores da mistura de influências brasileiras com rock, algo comum hoje, o Picassos nem de longe soa datado. As guitarras roqueiras-psico-funcks de Gustavo Corsi, as passagens flutuantes e a temática samba-canção nas melodias de Humberto Effe conferem ao grupo o status de “cool”. Aliás, nada mais atual que buscar informações de música brasileira e regurgitar das mais diversas formas. Noel Rosa e Tim Maia com rock? Nenhuma novidade para eles.
O pacote de clássicos veio com brinde de três músicas novas bem distintas: uma samba-com-guitarra estiloso, um pop ganchudo, com guitarra meio ska e refrão grudento, que não tem nada a ver com os trabalhos anteriores nem com o contexto artístico do grupo, e “Presidente Vargas”, também com refrão bem definido e melódico mas soando como a seqüência natural de Supercarioca. Uma luz no fim do túnel quanto ao futuro da banda, que provou ser capaz de criar uma música acessível, com qualidade sem viver de passado e ainda com “cara de picassos falsos”.
A despedida do Humberto Effe deu esperanças: “até a próxima !” – disse ele. Seria apenas uma expressão ou teremos mais shows por aí? É esperar pra ver.
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