Revista GERAÇÃO
Henrique Crespo
08/2001

Um Resgate Essencial

Banda dos anos 80 antecipou o que acontecia no pop/rock dos anos seguintes

Num momento em que vários artistas dos anos 80 estão voltando a fazer sucesso, alguns inclusive que há muito não gravam discos, uma volta seria bem vinda ao cenário musical brasileiro atual: o Picassos Falsos. Por conta da breve carreira, apenas dois discos, o grupo deixou uma lacuna. Pelo menos registraram uma obra prima, o disco “Supercarioca”, lançado no ano 1988 pelo selo Plug da gravadora BMG. Esse álbum, o último da discografia da banda, já antevia o que o rock brasileiro viria a fazer nos anos 90: a mistura. Essa característica que se tornou quase que uma ditadura no pop nacional, perdendo até mesmo sua espontaneidade, era totalmente natural e coesa no “Supercarioca”. Mas essa vanguarda inconsciente não é a única coisa a ser ressaltada nele. O rock que se entrega à malemolência do samba na sonoridade, ginga e vigor, faz isso também nas letras. A malandragem, os amores e todo o universo carioca foram colocados com a visceralidade e crueza do rock and roll: “Já que seu corpo deixou meu corpo sangrar, sangrar, sangrar / Como o dia-a-dia que me consome até me assassinar.” (verso da música “Fevereiro 2”). Em “Marlene” há uma citação de “Último Desejo” de Noel Rosa; em “Bolero” uma citação de “Third Stone From the Sun” de Jimi Hendrix. Esse exemplos já deixam claro sobre o que estamos falando.

O disco ficou fora de catálogo durante muito tempo, mas há pouco foi lançado pela BMG, dentro de uma série chamada Hot 20, uma edição que junta num mesmo cd os dois álbuns da carreira da banda de Humberto Effe, Luiz Gustavo (hoje tocando com Gabriel O Pensador), Luiz Henrique e Abílio. É discoteca básica do rock nacional.


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